Um aporte financeiro de cerca de R$ 1,2 milhão será destinado à Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade para a elaboração de estudos para a criação de duas novas Unidades de Conservação de Caatinga no Sertão pernambucano: a Serra da Matinha, no município de Carnaíba, e a Serra do Almirante, entre Parnamirim, Cabrobó e Santa Maria da Boa Vista.

O recurso também apoiará a confecção do plano de manejo do Refúgio de Vida Silvestre – RVS, Tatu-bola, UC de 110 mil hectares criada há três anos, distribuída entre as cidades de Petrolina, Santa Maria da Boa Vista e Lagoa Grande. O montante é proveniente do acordo de cooperação assinado entre o Ministério do Meio Ambiente  e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – Funbio para implementação do projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a Biodiversidade em três biomas – a Caatinga, o Pampa e o Pantanal.

A iniciativa integra o GEF-Terrestre (Fundo Mundial para o Meio Ambiente), que financiará o programa em R$ 122,5 milhões, o qual contempla 11 estados, entre eles Pernambuco. De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Carlos André Cavalcanti, a gestão apostou nessas três áreas como prioritárias com base no Atlas da Biodiversidade elaborado pelo Governo de Pernambuco.

“No caso do Refúgio (de Vida Silvestre) Tatu-Bola, escolhemos essa Unidade de Conservação para ter o plano de manejo porque ela representa a maior área de Caatinga conservada no Estado. Representa, do ponto de vista governamental, um esforço de proteção desse bioma”, explicou. É o plano de manejo que define as regras de uso e ocupação de solo dentro de um território legalmente protegido. Refúgio de Vida Silvestre é uma categoria de UC de proteção integral, ou seja, onde só são permitidas atividades ligadas ao ecoturismo e pesquisas científicas.

A boa notícia chega num momento em que um levantamento pioneiro feito pelo Centro de Pesquisas Ambientais (Cepan), em parceria com o Laboratório de Ecologia Aplicada da UFPE, revela que, dos quase sete milhões de hectares de Caatinga mapeados em Pernambuco, pouco mais da metade do bioma (51,06%) foi perdida para áreas de uso agropecuário – com uma grande parcela voltada a pastagens – enquanto só 46,89% do Estado ainda possui florestas de Caatinga conservadas.

“A princípio, terão prioridade os estudos para criação das UCs Serra da Matinha e Serra do Almirante”, adianta Cavalcanti, reforçando que as atividades deverão ter início no primeiro semestre de 2019.