Pastor evangélico picareta coloca em crédito duvidoso a ação de muitas igrejas protestantes no Brasil

Ex-funcionário afirmou à Polícia Civil que pastor mandou distribuir dinheiro para crianças comprarem a droga e serem filmadas. ONG ligada a Marcos Pereira recebeu R$ 1 milhão do governo federal para recuperar dependentes químicos

As Denúncias registradas em depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro, por pessoas que já foram de alguma forma ligadas ao pastor Marcos Pereira, caso confirmadas, terão desvendado uma atrocidade sem parâmetro de comparação cometida contra crianças e adolescentes em situação de risco. Além dos estupros e dos estímulos a ataques do tráfico e a rebeliões em presídios, o líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias está sendo acusado de dar dinheiro para crianças consumirem crack. Tudo isso para encenar – e filmar! – a suposta recuperação dos dependentes químicos.
Diz um trecho do depoimento de um ex-colaborador do pastor, feito à Delegacia Especial de Combate às Drogas (DCOD), em 22 de março de 2012: “O pastor Marcos, em sua ânsia de aparecer na mídia, pediu (à testemunha) que realizasse uma simulação de crianças consumindo crack em alguma comunidade e isso foi filmado; que o declarante, então, recusou-se a executar tal farsa”. O depoimento detalha o mecanismo escolhido pelo pastor para montar a cena: pessoas escolhidas por ele deveriam dar 100 reais a um grupo de crianças para que elas comprassem a droga e a consumissem. O momento da queima nos cachimbos seria filmado e, logo em seguida, as crianças receberiam mais 100 pelo “serviço”.
Como a testemunha não levou a cabo o projeto, não é simples comprovar que crianças receberam dinheiro para consumir a droga. Mas há, na internet, um vídeo com crianças e adolescentes de rosto encoberto sendo conduzido – com ajuda de outras crianças – para uma unidade da Adud.
O depoimento da testemunha mostra ainda a reação que Marcos Pereira teria demonstrado diante da recusa de seus funcionários e colaboradores. “São todos burros”, disse ele.
Oferecer dinheiro a crianças em situação de risco apenas para produzir um vídeo e dar popularidade a uma instituição que se diz dedicada a recuperar usuários de drogas é uma atrocidade inaceitável. A denúncia ganha cores ainda mais dramáticas se levadas em conta as verbas repassadas para o pastor: o Instituto Vida Renovada (IVR), ligado à Adud, firmou convênio com o Fundo Nacional Antidrogas, no valor de 1 milhão de reais, para a realização de seminários para formação de 2.880 multiplicadores sociais para atuarem em ações de prevenção do uso e abuso de drogas lícitas e ilícitas, entre elas o crack. O Instituto também recebeu 216.000 reais da prefeitura de São João de Meriti, no estado do Rio de Janeiro, em 2012 para “execução e manutenção do centro de atendimento ao público egresso do sistema prisional, dependentes químicos e moradores de rua”. A ONG não recebeu verba do governo estadual, segundo o Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios.
O site do IVR diz que em 2011 foram realizados mais de 4.000 atendimentos nas áreas social, jurídica e psicológica. Afirma ainda que seu abrigo em São João de Meriti atende oitenta homens e quarenta mulheres oriundos da marginalidade, das penitenciárias e da dependência química.
O levantamento que mostrou repasses do governo federal ao IVR foi feito pelo Contas Abertas, e mostra que, entre 2011 e 2012, o grupo também recebeu a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República empenhou (reservou para pagamento posterior) 400.000 reais para implementação do “Centro de Referência em Direitos Humanos no Instituto Vida Renovada”. O objetivo do projeto é “garantir a orientação geral sobre direitos humanos a qualquer vítima de violação de direitos” e prestar “atenção jurídica, psicológica e social a detentos, egressos do sistema prisional, seus familiares, comunidades e população em geral, bem como a pessoas com deficiência, idosos, quilombolas, indígenas, assentados, afrodescendentes, população GLTB e ciganos”.
(*) Fonte:  Veja.abril.com

O que dizem os depoimentos contra o pastor Marcos Pereira

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Estupros

O pastor estuprava as vítimas com a “desculpa” de que precisavam ser salvas. Uma delas ouviu o pastor dizer que via “um espírito lésbico” a rondando. As vítimas contam que sentiam-se fragilizadas quando eram abordadas pelo pastor. Algumas chegam a se referir à “libertação espiritual”. A Delegacia Especial de Combate às Drogas investiga seis estupros que teriam sido praticados pelo pastor. Ele teve a prisão preventiva decretada por dois estupros. O delegado Márcio Mendonça afirma que outras vinte jovens podem ter sido estupradas por Marcos Pereira.

Diego Albert

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