Deise Moura dos Anjos, investigada pela morte de três mulheres de uma mesma família em Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul, prestou depoimento à Polícia Civil e negou qualquer participação nos crimes. Apesar disso, confessou ter tido desavenças com a sogra, Zeli dos Anjos, responsável por preparar o bolo consumido pelas vítimas. Segundo as autoridades, a farinha usada na receita estava contaminada com arsênio.
O incidente aconteceu em dezembro, após um café da tarde em que sete pessoas passaram mal ao ingerir o bolo. Entre as vítimas fatais estão Tatiana Denize dos Anjos, Maida dos Anjos e Neuza dos Anjos, que sofreram paradas cardiorrespiratórias e choque pós-intoxicação alimentar. Zeli também foi hospitalizada, mas sobreviveu.
Durante a investigação, foi descoberto que Deise realizou pesquisas sobre venenos antes e depois do ocorrido, incluindo buscas específicas sobre arsênio. Em sua defesa, ela alegou que as pesquisas foram motivadas por curiosidade, e sua equipe jurídica destacou que sua prisão tem caráter investigativo.
No depoimento, Deise confirmou ter um relacionamento turbulento com a sogra, citando motivos financeiros e bloqueios em redes sociais como pontos de atrito. Em mensagens privadas, chegou a chamar Zeli de "Naja". No entanto, afirmou manter uma boa relação com outros membros da família, incluindo Paulo dos Anjos, marido de Zeli, que faleceu meses antes, em setembro, em circunstâncias também suspeitas após consumir café com leite em pó.
A Polícia Civil está investigando possíveis conexões entre a morte de Paulo e o caso do bolo contaminado, já que os sintomas relatados pelas vítimas foram semelhantes em ambos os episódios. Segundo o Instituto-Geral de Perícias, a maior concentração de arsênio foi detectada no sangue de Zeli, que consumiu duas fatias do bolo.
O caso continua em desdobramento, enquanto Deise permanece presa temporariamente por dez dias. A defesa segue sustentando sua inocência e argumenta que os conflitos familiares não justificam as acusações.