No aniversário de 172 anos de Barras, Sérgio Rêgo publica artigo chamando atenção dos barrenses

 No aniversário de 172 anos de Barras, Sérgio Rêgo publica artigo chamando atenção dos barrenses
Neste dia 24 de Setembro de 2013, Barras comemora seus 172 anos de fundação. Para muitos, o progresso da cidade nos últimos 30 anos é dedicado mais aos nossos empreendedores (comerciantes, empresários) do que ao próprio Poder Público Municipal -que tem nas últimas três décadas, com péssimas administrações, tem feito da corrupção o carro-chefe dos que sentaram na principal cadeira do Palácio Casa Rosada ou do antigo Palácio Municipal. O barrense Sérgio Luiz Rego Damasceno, bacharel em direito, delegado da polícia civil do Estado do Maranhão, publicou artigo na imprensa local se referenciando sobre esse processo de mudança social/política/cultural que muito mal tem feito a Barras. Abaixo publicamos o artigo.


Pensando em Barras do Marathaoan
Tenho pensado em Barras de um passado bem distante. Quando quero saber de sua história leio os livros dos historiadores/escritores/poetas da seara literária de nossa terra.
Procuro, também, informações conversando com pessoas de maior tempo de vida, maior tempo de juventude do que os da geração atual, através de depoimentos de experiências vividas, de fatos assistidos e de coisas que ouviram falar.

Faz bem ao meu ego de barrense ficar de vez em quando lendo sobre nossos  governadores, poetas, escritores, jornalistas, pintores, senadores, magistrados, prefeitos, jogadores de futebol, atores e atrizes, de pessoas de todas as classes sociais, exemplos de vida pessoal e profissional.

Vejo orgulho estampado no semblante da geração de hoje ao falar dos feitos dessa pioneira geração que legou títulos, como: Terra dos Governadores, Viveiro de Governantes.
Tenho pensado em Barras de um passado menos distante. Desse tempo, as ações estão mais próximas. São obras de antepassados das novas gerações. Seus feitos estão mais perto de nós. Algumas realizações merecem aplausos, mas não todas. Os atritos familiares por motivos políticos eram pratos amargos servidos na mesa da nossa gente. Amizades foram sacrificadas pela prática da politicagem. No entanto, o que mais feriu a sociedade barrense foi o massacre ao patrimônio público. Como diz a letra do samba de enredo: “a Igreja velha demoliram, derrubaram o Cristo Redentor, o nosso Quiosque destruíram, na Monsenhor Bozon, o trator passeou. Teatro, Cinema acabaram, Futebol é coisa do passado, só lembranças e lágrimas ficaram e destruição pra todo lado.”
Tenho pensado em Barras de uns tempos pra cá. Não se tem muito que comemorar. Algumas realizações isoladas merecem louvores, mas o que se deixou de fazer nesses últimos 40 anos foi um atentado à esperança de um povo que de eleição a eleição aposta em políticos que não enxergam nada além do seu umbigo. Gestores descompromissados ou mesmo incompetentes.

Sérgio Rêgo Damasceno

Barras não avançou, só andou de lado. Girando em círculo, administrações pautadas pelo egocentrismo, pela falta de interesse pela coisa pública, pelo pensamento  pequeno, pela falta de criatividade, pelo sentimento menor, pelas pendengas na briga pelo poder, só pelo poder, medidas para se locupletar, para favorecimento de familiares, para o exercício da perseguição sem se importarem se estão atingindo um bom profissional, um pai de família que trabalha para o sustento de sua família, inconsequências e mais e  inconsequências, consubstanciadas na baixeza da agressão. Militantes saem da esfera política e partem para o irresponsável ataque às famílias. Um desrespeito à sociedade.

Tenho pensado em Barras de hoje. Uma continuação de tudo que não prestou nas gerações passadas. A gente se depara com situações que só fragilizam cada vez mais o direito à cidadania. Uma sociedade dividida, repartida, fracionada por paixão partidária. Ainda hoje podem ser vistos lugares, bares, churrascarias que pessoas de um partido não pode frequentar só porque o dono não tem a mesma cor partidária. Não veste a mesma camisa.
Isso é mutilar a democracia. Uma politicagem que destrói lares, que sacrifica amizades antigas. Tenho pensado em Barras e nas escolhas erradas dos seus administradores. Uma cidade feita de erros históricos. Uma verdade maldita imortalizada numa frase bem dita: Todo povo tem o governo que merece. Sempre que um novo prefeito assume as rédeas administrativas do município, o coração do barrense se enche de esperança. Espera mudanças. Aposta num futuro melhor. Acredita que tudo vai mudar. Desilusão. Alguns mais tarde, outros mais cedo, os eleitos vão se revelando regulares ou, mesmos, péssimos administradores. Chegando ao ponto de uma administração péssima ser confundida com regular e uma regular ser confundida com boa. Não se tem conhecimento de nenhuma que mereça o conceito de excelente. Só acontecendo quando adjetivada por paixão extremista ou por um presente ou passado de favorecimento. Esse descontentamento se estende, também, ao legislativo municipal que tem como práticas abomináveis: as agressões entre seus pares e a cumplicidade no ajeitamento aprovativo das contas do executivo. Tenho pensado em Barras com uma face diferente. Uma cidade com pessoas respeitando os direitos de cada um. Uma comunidade onde a família é sagrada. Uma juventude sem vícios, onde o crack é o que joga um bom futebol e não essa droga maldita que anda infernizando nossos lares e até mesmo, (pasmem!) já se infiltrou no sertão.
Tenho pensado em Barras com mais segurança, um efetivo que dê condição ostensiva de patrulhamento. Barras com um museu onde nossa história possa ser visitada. Uma reforma que faça com que o quadro da Igreja Matriz volte a ser um cartão postal, uma praça adequada a atividades culturais e mais planejada para os festejos de Nossa Senhora da Conceição, nossa Padroeira. Quem sabe, até com a construção de um novo Quiosque.
Tenho pensado em Barras com uma política de conservação de nossos rios. Com uma maior efervescência cultural, movimentos teatrais e musicais. Sinto uma inveja danada quando vejo em outras cidades eventos, como: Festival de Inverno, Cachaçafest, Sabor Maior, Festival da Uva, Festival da Rabeca..e nós, aonde vamos? Duas Escolas de Samba poderiam dar uma nova cara ao Carnaval de Barras. Tradição e Modernidade: Mistura da Folia! Vamos aproveitar que em Teresina só tem Zé Pereira.
Tenho pensado em Barras de mente aberta e coração cheio de amor. Numa das datas de aniversário de minha terra não poderia ser diferente meu texto. Sei que me consideram polêmico e confesso que sou. Não consigo ficar calado quando vejo administrações desastradas, pessoas tirando proveito da coisa pública. Peço: Não se revoltem contra mim que me inquieto com o erro, com espertezas e, por isso, falo e grito em defesa da minha terra.
Revoltem-se contra os que tudo veem e nada fazem. Tenho muitos pecados, mas nunca terei o da omissão.
Este texto é de autoria de todo aquele que ama Barras e quer o melhor para ela.Acredito e espero ter colocado em palavras, revoltas, sonhos e sentimentos que são de barrenses apaixonados por sua terra, como eu. 

(*) Sérgio Rêgo é bacharel em Direito e Delegado da Polícia Civil do Estado do Maranhão


Diego Albert

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