Morre Jorge Dória, ator da Globo oriundo de família da cidade de Barras

Morreu hoje no Rio de Janeiro Jorge Dória (Jorge Pires Ferreira), filho de Alkíndar Pires Ferreira e neto do barrense Fileto Pires Ferreira.
 
O avô barrense de Jorge Dória, Fileto Pires Ferreira, foi governador do Estado do Amazonas e é a quem a história registra como responsável pela inauguração do famoso Theatro Amazonas, em Manaus.

Jorge Dória esteve em Barras há 5 anos. Esteve visitando o Hospital Leônidas Melo, que era a casa residencial de Dona Mariana Pires Ferreira. Almoçou no Restaurante O Pesqueiro, localziado nas margens do Rio Marathaoan. Ele morreu em 6 de Novembro de 2013, no Rio de Janeiro, onde residia. Nasceu em 12 de Dezembro de 1920.
 
Biografia de Jorge Dória:
 
Jorge Pires Ferreira nasceu no Rio de Janeiro em 12 de Dezembro de 1920. Filho de militar e de família da cidade de Barras, Estado do Piauí. Teve educação rígida, direcionada para seguir a tradição familiar, mas com a morte do pai opta por sua verdadeira vocação: o teatro. Passa a se assinar Jorge Dória, homenageando o amigo Leoni Dória Machado, com quem escreve As Pernas da Herdeira (1951), peça em que estreia como ator sob a direção de Esther Leão, na Companhia da vedete Zaquia Jorge. Faz seu debut no cinema no filme Mãe (1948), dirigido por Theófilo de Barros Filho para a Cinédia. Baseado na radionovela de Giuseppe Ghiaroni, o filme é bem recebido e sua participação como advogado de defesa da protagonista, interpretada pela atriz Alma Flora, abre-lhe as portas para uma longa carreira cinematográfica. Estreia, em 1952, na Companhia de Eva Todor com a peça A Amiga da Onça, de I. Bekeffi e A. Stella, onde permanece por quase seis anos como ator fixo de Eva e Seus Artistas.
 
Em 1962 ganha o Prêmio Saci como ator coadjuvante por O Assalto ao Trem Pagador, de Roberto Farias, no qual contracena com Eliezer Gomes, Luíza Maranhão e Helena Ignez. Em 1964 participa de Asfalto Selvagem, de J.B.Tanko, ao lado de Jece Valadão, Vera Vianna e Nestor Montemar. O forte argumento, assinado por Nelson Rodrigues sobre incesto entre irmãos, torna o filme proibido pelo golpe militar. Com o amigo Flávio Tambellini, atua sob sua direção em O Beijo (1965), baseado na peça O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, com Reginaldo Farias, Norma Blum e Nelly Martins.
 
Além de se firmar como ator de cinema, incursiona como autor de argumentos e roteirista de filmes importantes como Maior que o Ódio, de José Carlos Burle (1951); Amei um Bicheiro, de Jorge Ileli e Paulo Wanderley (1952); Absolutamente Certo! – a estreia de Anselmo Duarte na direção (1957) – em que assina o argumento com Jorge Ileli e Anselmo Duarte; Mulheres e Milhões, de Ileli (1961), com diálogos adicionais de Nelson Rodrigues e a presença de elenco feminino de peso: Norma Bengell, Odete Lara e Glauce Rocha. Em Bonitinha mas Ordinária, de J.P.Carvalho (1963), tem mais um encontro com Nelson Rodrigues, ao colaborar no roteiro na transposição da peça do polêmico dramaturgo para a tela grande.
 
No teatro destaca-se, em 1962, na peça Procura-se uma Rosa, de Vinicius de Moraes, Pedro Bloch e Gláucio Gill e direção de Léo Jusi. Em Os Pais Abstratos, de Pedro Bloch (1966), atua ao lado de Glauce Rocha e Darlene Glória, dirigido por João Bethencourt com quem firma parceria duradoura. Sob sua direção, aparece em Plaza suíte, de Neil Simon (1970); Chicago 1930, de Bem Hecht e Mac Arthur (1971); Freud Explica. Explica? (1973), de autoria do próprio diretor. Mas seu maior sucesso, também com Bethencourt, acontece com A Gaiola das Loucas, de Jean Poiret (1974), em que divide a cena com Carvalhinho em memorável desempenho, peça que fica quase seis anos em cartaz.

Com bom humor e sem preconceitos, participa de diversas pornochanchadas na década de 70, como Eu Transo, Ela Transa, de Pedro Camargo (1972); Como é Boa Nossa Empregada, de Ismar Porto e Victor di Mello (1973) e Um Varão Entre as Mulheres, de Vitor di Mello (1974).

Em televisão, começa ainda em programas ao vivo na artesanal TV Tupi dos anos 50, onde aparece em diversos teleteatros. Na mesma emissora, faz em 1970 E Nós, Aonde Vamos?, de Glória Magadan, ao lado de Leila Diniz e Márcia de Windsor, com direção de Sergio Britto. Em 1972, estreia na TV Globo no seriado A Grande Família, de Paulo Pontes, Oduvaldo Vianna Filho e Armando Costa, sob a direção de Paulo Afonso Grisolli. Seu personagem, o patriarca Lineu, encabeça o sucesso de pouco mais de três anos no ar, ao lado de Eloísa Mafalda, Osmar Prado, Djenane Machado e Luiz Armando Queiroz, e dá ao ator uma popularidade definitiva. Na telinha, aparece em seguida em O Pulo do Gato e Aritana (1978); Champagne (1983); Que Rei Sou Eu? (1989), em que vive o maquiavélico Vanolli Berval; Deus nos Acuda (1993); Zazá (1997) e Suave Veneno (1999).
Uma bem-sucedida parceria com Domingos de Oliveira no teatro dá sequência a excelentes oportunidades, como em Amor Vagabundo, de Felipe Wagner (1982); Escola de Mulheres, de Molière (1984), quando ganha o Prêmio Mambembe; A Morte do Caixeiro-viajante, de Arthur Miller (1986) e Os Prazeres da Vida, de autoria do próprio diretor (1987). Em 1993 volta a trabalhar com João Bethencourt, que assina o texto e a direção de O Senhor é Quem? Em 1999 montam juntos O Avarento, de Molière, espetáculo com o qual viaja por todo o país com um personagem sob medida para seus famosos “cacos” de improvisação.
Com a nova geração de diretores cinematográficos, roda O homem que Copiava, de Jorge Furtado (2002), e O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca (2003).
 
Com uma vida rica de personagens e realizações, é um ator prestigiado e querido pelos colegas. Atualmente em tratamento de saúde, recupera-se de um acidente vascular cerebral com a mesma garra e determinação que marcam sua vitoriosa trajetória.
 
 


Diego Albert

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