Com a prevalência do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) na liderança das pesquisas desde o início do período eleitoral, o candidato Fernando Haddad (PT) procura adversários derrotados no 1° turno e até lideranças tradicionais de oposição ao PT para fortalecer campanha na reta final.

Na Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, questionado sobre tentativa de construir uma frente ampla no 2° turno, Haddad fez referências a vários diálogos, dentre eles, com Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati, históricos opositores dos governos do PT.

Nesta Segunda-feira (22), o presidenciável teve conversa ao telefone com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Segundo o blog da jornalista Andréia Sadi, a conversa foi “amigável” e sobre democracia.

“O Fernando Henrique, que não pode declarar apoio a minha candidatura por questões do seu partido, tem manifestado certo inconformismo com uma pessoa da qualidade do Bolsonaro liderar as pesquisas”, afirmou no Roda Viva.

Em relação a Tasso, Haddad disse que conversou com o senador do PSDB por telefone “para restabelecer as relações”.

“Hoje eu conversei com Tasso Jereissati porque disseram que eu não entendi a mensagem que ele disse no 1° turno. Esperavam de mim que fizesse um aceno ao PSDB à época, que não fiz”, pontuou. Ele disse ainda que Tasso “é uma pessoa de quem eu gosto muito, é um senador muito aprumado”.

Nesta terça-feira, em sabatina no O Globo, Haddad soltou a frase: “Talvez eu seja o petista mais bem relacionado com o PSDB”.

Ontem, a ex-ministra Marina Silva, após longo argumento, anunciou “apoio crítico” a Fernando Haddad.

Ciro Gomes

No Roda Viva, o candidato amenizou fala da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann de que jamais apoiaria uma candidatura de Ciro Gomes. “Nunca foi minha opinião”, disse. Haddad frisou que defendeu uma chapa Lula-Ciro.

“Eu era dos petistas que cogitava que o PT podia sim apoiar o Ciro a presidente da República se houvesse uma aproximação maior”, afirmou. Ele também defendeu desprendimento de “qualquer projeto pessoal”, diante “do que está acontecendo no Brasil”.

“Espero que o Ciro dê um alô de onde ele estiver, porque é muito importante para o Brasil que ele se manifeste publicamente”, pediu Haddad.

Em Paris, no entanto, Ciro não tem demonstrado interesse em se manifestar. Nesta segunda-feira, a Folha de S. Paulo publicou diálogo do ex-candidato com a brasileira Érika Campelo, diretora de uma associação cultural, em um metrô na cidade europeia.

Questionado por ela sobre o motivo de não estar no Brasil, ele teria dito cordialmente que “realmente está muito difícil” e que o Brasil “está doente”. “Mas eu estou muito cansado, estou batalhando há três anos. E não dá mais”, pontuou.

Ainda segundo Érika, Ciro disse que o PT “errou” porque preferiu “disputar com Bolsonaro no segundo turno”. Na ocasião, ele teria feito elogios a Haddad, mas disse que a esquerda deveria ter debatido sobre o melhor candidato.