O ministro Luís Roberto Barroso, do STF – Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a prosseguir com as investigações sobre suposto pagamento de propinas por empresas do setor portuário ao presidente Michel Temer.

Em despacho assinado nesta sexta-feira, 29 de Junho de 2018, ele liberou o delegado Cleyber Malta Lopes, responsável pelo caso, a continuar fazendo diligências ao menos até que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se manifeste sobre pedido, feito pela própria PF, para prorrogar o inquérito por mais 60 dias. O prazo da investigação venceria no fim da semana que vem.

A solicitação foi enviada a Barroso, relator da investigação, na Quinta-feira (28). Como o Supremo entra em recesso nesta Sexta-feira (29), uma decisão a respeito só deve ser tomada em agosto, quando a corte retoma suas atividades. Até lá, a procuradora-geral deverá enviar sua opinião ao ministro.

Barroso destacou que Lopes requereu a prorrogação “em substanciosa petição, na qual descreve o desenvolvimento das investigações conduzidas até aqui – com um volume expressivo de providências já tomadas e um conjunto relevante de informações obtidas”.

O inquérito dos portos foi aberto no ano passado e apura se, em troca de benefícios concedidos pelo governo, empresas do setor pagaram propinas a Temer e seus aliados. Uma das medidas sob suspeita é decreto assinado pelo presidente em maio do ano passado, o qual permitiu que as companhias renovassem suas concessões, inclusive antecipadamente, por até 70 anos.

Trechos da norma foram considerados ilegais pelo TCU (Tribunal de Contas da União) na última Quarta-feira (27).

Uma das linhas de investigação é de que recursos obtidos ilicitamente tenham beneficiado o presidente por meio de obras na casa de uma de suas filhas, Maristela, em São Paulo. Também apura-se possível desvio de recursos de um contrato da usina de Angra 3, firmado com empresa que tem como sócia a Argeplan, pertencente ao coronel João Batista Lima Filho, amigo do presidente.

Temer e os demais investigados têm negado envolvimento em ilícitos

(*)Folhapress