Fortaleza está no topo da incidência da Covid-19 entre as capitais do Brasil. Com coeficiente de 34,7 novos casos a cada 100 mil moradores — o maior do Brasil — a capital cearense está no radar nacional no que se refere à disseminação da infecção causada pelo novo coronavírus. A doença já chegou a 90% dos bairros e passa de mil casos. Dos 1.188 casos confirmados no Ceará, 1.053 são na Capital, que também concentra o maior número de óbitos: 30 das 40 mortes do Estado. O cenário demanda maior monitoramento das medidas de isolamento em bairros periféricos, assim como medidas direcionadas à Região Metropolitana.

Em uma semana, a infecção chegou a 22% (41) dos 184 municípios. Fora da Capital, o maior número de casos se concentra nos municípios de Aquiraz (24), Maracanaú (17) Caucaia (14) e Sobral (11). A taxa de letalidade no Estado é de 3,37%.

O titular da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Dr. Cabeto, falou, em coletiva de imprensa por videoconferência, que a escalada do número de casos se deve à quantidade elevada de testagens no Estado. O número de casos suspeitos de Covid-19 quase triplicou de segunda-feira, 6, para ontem no Ceará. Pulando de 3.684 para 9.067. Isso ocorre, de acordo com a secretaria, porque existem três sistemas de notificação. O segundo sistema foi adicionado ao IntegraSUS ontem. Um terceiro ainda deve ser adicionado. Ou seja, os números de suspeitas terão novo salto.

“Os exames realizados vão sendo testados aos poucos. Fortaleza liberou um número muito grande de resultados nas últimas 24horas e no final de semana. São Paulo tem mais de 16 mil testes represados. Quando sair o resultado, pode ir lá pra frente no número de incidência”, pondera Roberto da Justa, infectologista do Hospital São José e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Ele considera que as condutas adotadas a nível estadual são corretas, visto que, sem elas, a incidência seria muito maior. As medidas de distanciamento, no entanto, não vem sendo obedecidas nos bairros periféricos. “Isso é muito preocupante, pode gerar uma explosão de casos. É preciso monitoramento de regiões muito adensadas. Em paralelo com medidas de atenuação dos impactos sociais e econômicos para essas pessoas. Há desemprego e informalidade muito grande”, defende.

Positivos para coronavírus, 151 profissionais de saúde ligados ao Governo do Ceará já foram afastados de seus postos de trabalho, de acordo com a Sesa. “Eu tô muito preocupado com os recursos humanos. Precisamos recrutar mais profissionais e capacitá-los rapidamente. O poder público precisa olhar para esses profissionais. Não é um ambiente fácil, tem sido muito desgastante”, alerta Justa.

Tribuna do Nordeste