Janeiro de 2021 foi o mês com o maior número de atendimentos por Covid-19 em Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs) de Fortaleza, desde que o coronavírus foi identificado pela primeira vez no Ceará. O primeiro mês do ano registrou 12.258 atendimentos de síndrome gripal, provocados em razão da doença.

Durante o pico da pandemia no estado, em abril e maio de 2020, foram contabilizados, respectivamente, 11.122 e 9.875 atendimentos por Covid-19. Os números vinham caindo desde esse período e voltaram a crescer em outubro, durante as eleições municipais. Com as festas de fim de ano, os atendimentos médicos subiram ainda mais. Os dados constam na plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

Veja dados comparativos por mês:

  • Abril/2020:
  • 11.122 atendimentos de covid-19;
  • 427,83 média diária de atendimentos;
  • 352 transferências.
  • Maio/2020
  • 9.875 atendimentos de covid-19
  • 370,7 média diária de atendimentos;
  • 849 transferências.
  • Janeiro/2021
  • 12.258 atendimentos de covid-19;
  • 433,37 média diária de atendimentos;
  • 161 transferências.

O epidemiologista Luciano Pamplona aponta uma mudança nas recomendações sanitárias como um dos principais motivos para esse aumento. “Se a gente voltar para o ano passado, a recomendação que se tinha, baseada no conhecimento científico que se tinha na época, era orientar pessoas a só buscar atendimento quando tivesse comprometimento respiratório. Isso mudou de lá para cá. A gente aprendeu com a ciência, que quanto mais precocemente o médico avalia, medica e trata o paciente, menos óbitos a gente tem”, destaca Pamplona.

“O que a gente está tendo nesse momento é o incentivo para que a população busque assistência médica a partir de qualquer sintoma que ela apresente. Então, isso contribui com esse aumento”, complementa o epidemiologista, que também é professor da Universidade Federal do Ceará.

Mudança de classificação

Dos atendimentos médicos em UPAs da Capital durante o mês de janeiro, contudo, 71% tinham a marcação verde, que é considerada pouco urgente; 15,4% amarela, com gravidade moderada; e 8,6% laranja (gravidade com risco de evoluir para morte). Apenas 0,63% tinham a marcação vermelha, cujo risco é gravíssimo e requer atendimento imediato.

Durante o pico, em maio, a maior prevalência de casos eram graves com risco de morte (44,3%); com gravidade moderada eram 26,7% dos atendimentos; e de risco leve, 20%. Naquele período, 757 pessoas chegaram às unidades de saúde com risco gravíssimo, cerca de 6,24% do total.

“A gente aprendeu com a pandemia. Não houve erro e nem crime. A gente aprendeu com o manejo dos pacientes que quanto mais precoce for a intervenção médica, melhor é a evolução do paciente. A gente até pode internar mais, mas morre menos. Muitos internamentos hoje são precoces, são para monitorar o paciente e a gravidade, e evitar o óbito”, explica Pamplona.

Positividade

Todas as UPAs de Fortaleza também estão apresentando taxa de positividade para o coronavírus acima de 50%, ou seja, mais da metade das pessoas que dão entrada em atendimentos com sintomas de gripe nesses locais apresentam quadros da Covid-19. Na UPA da Praia do Futuro, por exemplo, a cada dez pessoas que fizeram o teste, oito testaram positivo.