TERESINA (PI) – O ex-deputado federal, ex-prefeito de Teresina e ex-senador, Heráclito Fortes (DEM) e sua esposa Mariana Brennand Fortes doaram o quadro Titulo Marinho, do piauiense filho de Barras, Lucílio Albuquerque, avaliado em R$ 300 mil, para a Câmara Municipal de Teresina.
O quadro está exposto no Salão Nobre Vereador Vieira Toranga, que foi inaugurado na noite de ontem (19), com a presença do ex-senador e de várias autoridades municipais e estaduais.
A tela fica ao lado do quadro do Vereador Vieira Toranga, já falecido, o qual foi homenageado com o nome do local. Abaixo da tela uma placa descreve a doação: “Por livre e espontânea vontade dos doadores sem coação ou influência de quem quer que seja, fazem a doação por ato inter vivos a donatária gratuitamente, sem condições ou encargos de qualquer natureza, o objeto acima caracterizado, transferindo deste já irrevogavelmente à donatária toda posse, jus, ação, domínio e perda sobre o referido bem”.
Durante a inauguração, Heráclito Fortes disse que Lucílio de Albuquerque é de um importante artista piauiense, natural de Barras que fez curso em Paris, nos anos de 1800 e conviveu com grandes nomes da Arte internacional, sendo o introdutor do impressionismo nas artes plásticas brasileiras.

Heráclito Fortes, que é colecionador, relembrou que fez uma doação parecida para a Prefeitura de Barras, mas o quadro foi roubado no final da administração do prefeito Francisco das Chagas Rêgo Damasceno, o Manim Rêgo. “Espero que não aconteça o que aconteceu em Barras, mas sabemos que uma obra de arte como esta nunca será vendida, pois possui um selo de autenticidade, na qual a Polícia Federal localiza assim que tentarem vender”, declara Fortes.
Ao agradecer a doação, o vereador Edvaldo Marques, presidente da Câmara Municipal de Teresina, afirmou que cuidará da segurança prioritariamente para que o que aconteceu no Palácio Casa Rosada, sede da Prefeitura Municipal de Barras, não aconteça na Câmara Municipal de Teresina.
Salão Nobre
Após a inauguração do Salão Nobre que possui um espaço para auditório, reuniões e uma cozinha, o primeiro evento que está sendo realizado é o lançamento do primeiro edital de concurso público da Casa.
Em Barras
Na cidade de Barras, Lúcílio de Albuquerque – que é o Patrono da Cadeira 24 da Academia de Letras do Vale do Longá – ALVAL, é um ilustre desconhecido para a maioria dos barrenses. Em frente ao Colégio Gervásio Costa, existe a Praça Lucílio de Albuquerque, inaugurada em 1979 na administração do então prefeito Raimundo Alves de Sousa, mas as placas de identificação da praça foram roubadas há mais de 15 anos e a maioria dos conterrâneos de Lucílio de Albuquerque chamam de “Praça do Gervásio Costa” o logradouro público que recebe o nome desse barrense de fama e reconhecimento internacional.
Biografia de Lucílio de Albuquerque

Lucílio de Albuquerque (Barras PI 1877 – Rio de Janeiro RJ 1939). Pintor, desenhista, vitralista, professor. Em 1895, ingressa na Faculdade de Direito de São Paulo, mas abandona-a para estudar pintura. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1896 e freqüenta a Escola Nacional de Belas Artes – Enba como aluno livre. De 1901 a 1906 matricula-se no curso regular da Enba, e tem aulas com Rodolfo Amoedo (1857 – 1941)Zeferino da Costa (1840 – 1915) e Henrique Bernardelli (1858 – 1936). Em 1906, ganha o prêmio de viagem ao exterior no Salão Nacional de Belas Artes – SNBA com o quadro Anchieta Escrevendo o Poema à Virgem, e parte para a Europa com sua esposa, a pintora Georgina de Albuquerque (1885 – 1962). Em Paris, estuda na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes] e na Académie Julian, sendo aluno de Henry Royer (1869 – 1938), Marcel Baschet (1862 – 1941) e Jean-Paul Laurens (1838 – 1921). Participa da Exposição Nacional de Bruxelas, e realiza vitrais para o pavilhão brasileiro na Exposição Internacional de Turim, Itália, em 1911. Nesse ano, volta ao Rio de Janeiro e torna-se professor de desenho figurado na Enba. É nomeado diretor em 1937, cargo que abandona no ano seguinte por motivos de saúde. Após sua morte, Georgina de Albuquerque cria, no início dos anos 1940, o Museu Lucílio de Albuquerque, cujo acervo atualmente pertence ao Estado do Rio de Janeiro.
Comentário Crítico: O pintor Lucílio de Albuquerque freqüenta a Escola Nacional de Belas Artes – Enba em 1896, como aluno livre. Em 1901, torna-se aluno regular da instituição, estudando com Rodolfo Amoedo (1857-1941), Zeferino da Costa (1840-1915) e Henrique Bernardelli (1858-1936). Em 1906, recebe o prêmio de viagem ao exterior e parte para a Europa com sua esposa, a pintora Georgina de Albuquerque (1885-1962), onde estuda na Academia Julian. Em Paris, toma contato com o impressionismo e com o simbolismo, realizando obras que dialogam com essas tendências.

Apresenta diversos trabalhos no Salon des Artistes Françaises, como, por exemplo, La Campagne (1908), Agnes Dei (1909) e Raparigas do Milho (1910). Exibe no Salon Internationale de Bruxelles a tela Despertar de Ícaro (1910), executada em homenagem ao aviador Alberto Santos-Dumont (1873-1932). No ano seguinte, realiza projeto para vitral destinado ao Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional de Turim.

Para o historiador da arte Teixeira Leite, Lucílio de Albuquerque parte, em sua obra, das sombras para luz, ou seja, da utilização inicial de uma paleta de tons escuros, passando gradualmente aos tons claros, afastando-se também da concepção realista da forma, com o uso de sólido desenho, para alcançar posteriormente efeitos cromáticos quase expressionista. O artista destaca-se também por suas paisagens, nas quais realiza pintura en plein-air.

 

Albuquerque, Lucílio de 
Efeito de Sol – Manhã em Niterói , s.d.
óleo sobre tela, c.i.d.
85 x 91 cm 
 

Albuquerque, Lucílio de 
Paisagem de Petrópolis , s.d.
óleo sobre madeira
46 x 56 cm
Acervo Banco Itaú S.A. (São Paulo, SP)
Reprodução fotográfica Luiz S. Hossaka