LUIS CORREIA (PI) – Exonerada do cargo em Agosto de 2011 após propor uma demonstração de nu artístico em sala de aula, a professora Wanda Pinheiro Santos, da Unidade Escolar Augusto Veloso, de Luís Correia, teve seu julgamento revisto pelo Governo do Estado Piauí. A pena de demissão foi substituída por suspensão por 90 dias. A decisão é de 25 de Janeiro de 2012 e já foi publicada no Diário Oficial do Estado.


Wanda Pinheiro Santos pediu reconsideração do julgamento, alegando que as provas não confirmam constrangimento por parte de um aluno. Em abril de 2010, a professora ministrava aula sobre a Grécia na história da arte quando ocorreu o episódio. Um aluno adolescente chegou a tirar a calça e a camisa, mas a iniciativa foi abortada após isso. O caso chegou ao Conselho Tutelar do Município de Luis Correia.
Outra alegação da professora foi o acordo feito com o Ministério Público para proferir palestras sobre orientação sexual em Luís Correia, destacando que se os promotores concordara com tal punição, a demissão imposta pelo Estado seria desproporcional.

A nova decisão cita que “a conduta da requerente por não ter diretamente a finalidade de agredir psicológica e moralmente o aluno não permite sua demissão, mas autoriza a aplicação da pena de suspensão”, considerada adequada “para reprimir a prática do ato e impedir que outros dessa natureza venham a ser praticados”.
Se o Governo Federal depois que o PT passou “a tomar de conta”, com o governo “de todas e de todos”, distribui preservativos masculinos entre crianças e adolescentes nas escolas, estimula a degradação moral da sociedade com leis amorais criadas nos últimos 15 anos… será que essa professora não estaria também sendo vítima dessa propagação de degeneração moral que vive a sociedade brasileira imposta em muitos casos pelas ações do próprio Governo Federal?
Confira abaixo a explicação da Professora Wanda Pinheiro Santos sobre o caso:
Gostaria de esclarecer sobre fato ocorrido em 15.04.2011 durante uma aula de Artes que eu ministrava numa turma da 7ªB na Unidade Escolar Ricardo Augusto Veloso.

A minha proposta era de realizarmos um exercício de desenho de observação diante de um modelo vivo, diferentemente da aula passada, quando levei ilustrações de estátuas gregas referentes aos períodos: arcaico, clássico e helenístico, os quais conhecemos através da História da Arte.Pedi aos nossos alunos que fizessem os seus desenhos a partir destas ilustrações.

Na aula seguinte, quando perguntei –lhes se algum aluno poderia mostrar …o seu corpo para que seus colegas pudessem desenhá-lo, em nenhum momento, sequer, pensei em algum aluno expondo-se, sem roupas, diante da turma. Não relacionei o meu comentário sobre as idéias de perfeição e harmonia referentes ao estudo do período clássico da Arte Grega, ao objetivo de realizar um exercício de desenho de observação diante da nudez de um modelo vivo.
Imediatamente, um dos nossos alunos que sempre foi muito participativo e ativo, levantou-se e, diante da turma retirou a sua blusa, baixou sua calça comprida até o joelho e brincou com a turma, espontaneamente.
Considerei que naquele momento a melhor forma de contornar a situação seria abordar o valor RESPEITO. Por isso, perguntei à turma se algum deles estaria se sentindo constrangido diante de tal atividade.
No mesmo momento em que uma aluna manifestou-se contrária àquela situação, disse-lhes que não continuaríamos com tal exercício, pois estávamos em um espaço público e a nossa aluna tinha o DIREITO de não aceitá-la. Depois disso, o nosso aluno vestiu-se e voltou para o seu lugar. Era fim de horário e todos saíram brincando, naturalmente.
Sabemos que sala de aula não é um lugar apropriado para fazermos uma atividade de desenho diante de um modelo nu, seja com adultos, e muito menos, com adolescentes e crianças.
Ocorre que, no instante em que o aluno baixou a sua calça comprida, a nossa Diretora estava passando pelo corredor, e, ao ver aquela cena, voltou para a sua sala.
Três dias depois, fui chamada pela Direção desta Escola que comunicou-me que eu deveria afastar-me da sala de aula.Senti-me extremamente ofendida e, manifestando-me contrária a tal decisão, disse-lhes que estava naquela Escola para trabalhar e não para obedecer àquela ordem , que, sem dúvida tinha um caráter autoritário, pois não me concedia o direito de defesa.
Depois de audiência realizada devido à abertura de um processo administrativo após o exame de uma comissão de sindicância da Secretaria Estadual de Educação realizado nesta Escola, pensei que tudo estaria esclarecido, pois expliquei-lhes o ocorrido com todo o meu zelo para com a minha verdade como profissional que zela pelo seu trabalho.
Dia 22.08. depois de aceitar a proposta que me foi apresentada pela Justiça, através do Fórum de Luís Correia- Piauí, de ministrar palestras sobre Educação Sexual em todas as escolas deste município, estava realizando os meus estudos quando li, pela internet, uma página do Diário Oficial do Estado que comunicava a minha demissão.
No momento, por intermédio do meu advogado, estou recorrendo da decisão Governamental.
Profª.Wanda Pinheiro dos Santos”