Familiares e amigos do jovem Kaique Abreu, de 22 anos, que morreu após ser agredido sem motivo com um soco e chutes ao deixar um dos circuitos do carnaval de Salvador, fizeram um protesto emocionado na manhã deste domingo (25). Além de pedirem por justiça, os participantes também fizeram um ato de estímulo à doação de órgãos.

O protesto começou por volta das 9h, com um gesto simbólico. O grupo se deitou no chão da Rua Manoel Barreto, no bairro da Graça, onde o jovem foi vítima da agressão que resultou na morte cinco dias depois. Com faixas e cartazes, eles fizeram um minuto de silêncio seguido por orações.

Em seguida, os participantes iniciaram caminhada tendo como sentido o Farol da Barra. A Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) informou que o grupo seguiu pela Avenida Centenário e chegou no destino por volta das 10h45. Não houve interdições no trânsito por conta do protesto.

No Farol da Barra, familiares e amigos da vítima se deram as mãos e fizeram novas orações. Todos os participantes usavam camisetas brancas. Faixas estimulando a doação de órgãos também foram usadas. A situação revela o ato de solidariedade da família, que autorizou a doação de cinco órgãos do jovem morto.

Motivação torpe

O suspeito do crime, identificado como Edson Rodrigues dos Santos, de 27 anos, contou que bateu no jovem porque queria descontar, na primeira pessoa que aparecesse, uma agressão que teria sofrido no circuito da folia. O suspeito foi preso no dia 14 de fevereiro, no bairro de Capelinha de São Caetano, onde morava.

Além de Edson, Bruno Fernando Ribeiro Batista, de 30 anos, que dirigia o caminhão usado pelo suspeito para fugir, foi preso. Um adolescente de 17 anos, que também estava com ele durante a ação, foi apreendido. Os três foram identificados com a ajuda das imagens do crime.

De acordo com a polícia, Bruno e o adolescente foram conduzidos ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e admitiram ter visto o momento do crime. O adolescente foi encaminhado à Delegacia para Adolescente Infrator (DAI), enquanto que Bruno vai responder por omissão de socorro e favorecimento pessoal.