Paulo César Lages Veras, pai de Fernanda Lages Veras.               

O pai da estudante nascida em Barras/PI, Fernanda Lages Veras, Paulo César Lages Veras, afirmou a imprensa na tarde desta Quarta-feira (28 de Agosto de 2012)  que não acredita no relatório da Polícia Civil e garante que a morte da filha não foi suicídio. “Eles estão querendo encobrir algum colarinho branco”, disse.
Paulo Lages acrescentou que o resultado dos novos laudos divulgados hoje no Jornal do Piauí foi uma surpresa para a família. “A gente não tinha ideia de que isso existia. Mas, não acredito em nada que venha da Polícia Civil. A Fernanda não iria entrar naquela obra sozinha”, argumentou.
Para o pai da universitária encontrada morta em agosto do ano passado ainda há muitos pontos que precisam ser esclarecidos. “O vigia disse primeiro que ela entrou com outras pessoas. O delegado Mamede Rodrigues (5° DP) chamou a Cassandra Lages Veras (tia de Fernanda) para ouvir um dos vigias descrever as características de quem estava com a minha filha. Como é que agora ele diz que ela entrou sozinha? Ele deveria estar preso”.
Paulo acrescentou que a Polícia Federal garantiu ter encontrado dois tipos diferentes de DNAs no local do crime. “Além disso, já sabemos que ela esteve na calçada antes, com a Nayrinha Veloso, natural de Valença do Piauí, e outra pessoa, não identificada. Há mais coisa nessa história. Ela não iria entrar em um local desconhecido, sem saber como é lá dentro, sem saber se seria abordada por alguém”.
Para a família, Fernanda não deixou nenhuma pista de que estaria passando por problemas ou deprimida por algum motivo. “Alguém que planeja se matar deixa pistas, mensagens. Ela me deixaria uma mensagem, tenho certeza. Minha filha não se matou. Ela estava com a chave do carro, com o celular, ela pretendia voltar”, analisou o pai.

Caso o inquérito da Polícia Federal chegue à conclusão de suicídio, a família da jovem buscará na Justiça alguma possibilidade de novas investigações.

Entenda:
Apenas após a conclusão do inquérito da Polícia Civil, os resultados de dois exames chegaram ao Piauí. Foram eles: o laudo do local do crime, feito com a ajuda da Polícia Federal, e os exames de DNA feitos no laboratório da Paraíba.

De acordo com os resultados, não havia ninguém com Fernanda Lages no momento em que ela caiu do 5° andar da obra do Ministério Público Federal. É constatado ainda que não há DNA de Fernanda em nenhum outro ponto da obra, o que mostra que a jovem não foi ferida durante o percurso da entrada até o local de onde caiu. A morte passou a ser considerada acidental.
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Laudo exclui 22 pessoas e diz que Fernanda Lages Veras não foi assassinada
O resultado do exame de DNA feito no material colhido na obra do Ministério Público Federal (MPF) atesta que a universitária Fernanda Lages Veras não foi assassinada. Segundo os laudos, não havia outra pessoa no 5° andar do prédio, no momento em que a jovem caiu, em 25 de agosto de 2011.
Como os resultados ficaram prontos após a conclusão do inquérito da Polícia Civil, os policiais decidiram fazer um novo relatório e, em sigilo, entregaram à Polícia Federal e a 1° Vara Criminal de Teresina.

No novo relatório, o depoimento do vigia que estava em frente à obra ajuda a comprovar os fatos. Ele afirma que viu Fernanda Lages Veras chegar sozinha no carro, estacionar em frente à construção, esperar por 10 minutos ouvindo música alta e em seguida entrar sozinha no prédio.
Os resultados que chegaram depois da conclusão do inquérito da Polícia Civil correspondem ao laudo do local do crime, feito com a ajuda da Polícia Federal, e aos exames de DNA feitos no laboratório da Paraíba.
Apesar de descartar homicídio, o relatório da polícia não afirma que foi suicídio, pois não existe testemunha que tenha presenciado o ato.

Delegado diz que Ministério Público Estadual acusou sem provas
O presidente do Sindicato dos Delegados, Tiago Dias, confirmou hoje (29), em entrevista ao Notícia da Manhã, a existência de um relatório sobre o Caso Fernanda Lages, produzido depois do encerramento do inquérito da polícia civil. Tiago comentou ainda que ficou surpreso com as declarações dos promotores Eliardo Cabral e Ubiraci Rocha de que há possibilidade de ser homicídio, suicídio ou acidente. 
“Me espantei agora porque no início da investigação os promotores já tinham um culpado e agora consideram que há 33% de chance de ser homicídio, 33% suicídio e 33% acidente. Vamos aguardar, estamos tranquilos e vamos tomar medidas porque as informações prestadas pelos promotores naquela época não tinham suporte comprobatório”, declarou Tiago.


Ainda segundo o delegado, a postura do sindicato é não se manifestar agora, antes que a Polícia Federal se pronuncie sobre o resultado final.


Ontem (28), surgiu a informação de que os resultados dos laudos das perícias feitas no local do crime excluem a participação de 22 pessoas no momento da queda da estudante. A morte teria sido considerada acidental.


De posse desses resultados, a polícia civil teria produzido esse segundo relatório em sigilo e entregue para a PF e 1ª Vara Criminal de Teresina.


O sindicato mantém a decisão de acionar os promotores na justiça.
(*) Foto: Carlos Lustosa Filho