O padre Nilton Pereira, da Paróquia Santíssima Trindade, Bairro Primavera, zona Norte de Teresina, aproveitou a Homilia, durante a celebração, para fazer discurso contra o pré-candidato a presidente da República, deputado federal Jair Bolsonaro (PSL/RJ). Ele disse que lamenta profundamente quando vê jovens brasileiros pedindo a volta da ditadura e declarando apoio a um elemento que ataca mulheres, negros e outros grupos vulneráveis da sociedade.

O vídeo com as declarações do padre que realiza toda semana, às quartas-feiras, a Missa da Misericórdia, frequentada por um grande número de fiéis de toda Teresina e de várias outras cidades do Piauí, foi publicado no Facebook pelo internauta Marcos Rego, que é apoiador da pré-candidatura de Bolsonaro. Rego disse que durante “Missa da Misericórdia, o padre Nilton chamou Bolsonaro de ‘maldito’ e ‘ordinário’, o que demonstra desrespeito e desespero da esquerda.”

Ele complementou dizendo: “Aqui no Piauí, tudo pode. Padre do PT é prefeito de Picos. Eu gostava quando o padre celebrava missa e não fazia política.” Vários comentários foram acrescidos à postagem. Num deles, o também internauta Deusdedit Farias afirma que respeita o padre, no entanto “minha opinião ele não muda.” Claudeci Alvão comentou que “este padre deve esta sofrendo síndrome do pânico.”

Pároco da Santíssima Trindade durante celebração//

ABUSO DO PODER RELIGIOSO

Existe, nos meios políticos do Brasil, uma discussão muito antiga que trata sobre o abuso do poder religioso nas eleições. Há quem defenda que padres que pretendam abraçar carreira política devem se afastar de suas atribuições. No Brasil, país onde mais de 90% da população tem religião, sendo a maioria cristã (católicos e evangélicos), os sacerdotes são muito influentes. Essa realidade não pode ser ignorada pela legislação eleitoral. A normalidade e, principalmente, o equilíbrio das eleições, vêm sendo continuamente afetadas pelo poder religioso, de acordo com os estudiosos Alexandre Assunção e Silva e Magaly de Castro Macedo Assunção.

Em algumas cidades do interior piauiense, padres são recrutados por prefeitos para fazer campanha eleitoral abertamente em favor dos projetos políticos da situação e contra a oposição. Importante ressaltar que muitas igrejas recebem recursos das prefeituras e dos governos estadual e federal a título de auxiliar comunidades carentes. “Há situações em que a desincompatibilização de padres, pastores e outros ministros religiosos constitui uma imposição legal”, dizem os estudiosos. “É o caso de serem dirigentes de entidades prestadoras de serviços de utilidade pública, que recebam recursos públicos através de convênios.” (Toni Rodrigues, escritor, jornalista, radialista de Teresina-PI)

Veja o vídeo abaixo:

(*) Publicação original do site tonirodrigues.com.br, acesse http://tonirodrigues.com.br