Pessoas em macas são espalhadas pelos corredores e até na recepção
O Hospital de Urgência de Teresina, Dr. Zenon Rocha registra por mês, 300 óbitos. A informação está contida em nota de repúdio assinada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Piauí publicada nos jornais desta 3ª feira. A nota apareceu em protesto pela declaração da presidente Dilma Rousseff, quando de sua passagem pelo Piauí semana passada e publicada aqui com exclusividade, de que vai enviar mais 44 médicos cubanos para o Estado, os quais, deverão se incorporar aos 273 já presentes em território piauiense. O CRM condena a fala da presidente e chama a atenção para os graves problemas nos hospitais da capital e do interior. Diz a nota que, “no hospital de Urgência de Teresina(HUT), onde não falta médico, morrem, 300 pacientes por mês, em média, por falta de estrutura, algumas de fácil resolução, se houvessem investimentos na saúde, tais como: monitor, ventilador mecânico e leitos suficientes de UTI”.
UTI DO SUS
A nota do CRM esclarece que em todo o Estado existem apenas 25 leitos de UTI pediátrica e 25 de UTI neonatal disponíveis pelo SUS.

SITUAÇÃO NO INTERIOR
Para ao CRM, no interior do Piauí, a importação de médicos cubanos não fez diminuir a quantidade de pacientes que são encaminhados para Teresina, diariamente, superlotando as unidades e saúde de urgência. Isso acontece, segundo o CRM ,porque na maioria dos municípios não existem hospitais preparados para atender os casos de média e de alta complexidade.

CIRURGIA SÓ EM 2015
A nota do CRM fala também sobre as cirurgias e mostra um dado estarrecedor. Diz que, “não há vagas para cirurgias eletivas e, quando há, tem programação para acontecer até para 2015. Além disso, os profissionais médicos carecem de condições mínimas estruturais para atender o cidadão com dignidade”.

CUBANOS CONSOMEM R$ 3,8 MILHÕES/MÊS
O Conselho Regional de Medicina encerra a nota de repúdio, chamando a atenção da própria presidente: “senhora presidente, 317 médicos cubanos no Piauí custam, em média, entre salários e moradia, R$ 3,8 milhões/mês, dinheiro esse que, empregado diretamente em estrutura e em carreira médica nos interiores para médicos brasileiros, teria um impacto substancial na melhoria da saúde da população”.

E ENCERRA
“Por isso, o CRM Piauí repudia políticas que desvalorizam o médico brasileiro e não resolvem os graves problemas de saúde, pelos quais, médicos e a sociedade são obrigados a enfrentar, ferindo o maior direito de todos os cidadãos: a vida”.

(*) Repórter: Pedro Alcântara Carvalho do Nascimento, 180graus