José de Freitas (PI) – A vida social de toda cidade do interior muda bastante na época dos festejos alusivos à sua(seu) Padroeira(o). É uma época que cada pessoa aguarda com certa ansiedade, pois a cidade fica mais animada com as atividades religiosas e sociais. Veja fotos abaixo feitas no show musical com a Banda de Forró Arreio de Ouro, na madrugada de Domingo (12 de Agosto de 2012, Dia dos Pais).
Nossa reportagem composta pelo editor Reinaldo Barros Torres e seu sobrinho Natan Santos (Diretor de Expansão e Planejamento da Tribuna de Barras) esteve presente na cidade de José de Freitas (distante 72 Km de Barras e 44 Km de Teresina); no último Sábado (11) e Domingo (12 de Agosto de 2012), onde abrilhantou na madrugada de Sábado um show de uma banda de forró do Ceará chamada Arreio de Ouro, acontecido no “Parque de Exposição Agropecuária  Duplo R” e na tarde de Domingo esteve presente na Barragem do Bezerro (grande açude da cidade) onde acontece um caso sui generis: a população se divide em duas das margens do balneário: a da frente de quem chega ao lugar, chamada de “local dos ricos”; e a mais distante, do outro lado do açude, denominada pelos freitenses de “local do pobres”. O interessante é que nem “os ricos” vão para o lugar dos pobres e nem “os pobres” vão para o lugar dos ricos, com raras exceções.

Essa divisão social pela condição financeira afeta até os donos das barracas. Nosso editor Reinaldo Barros Torres esteve conversando com a senhora Maria das Graças, dona de uma das barracas do “lado dos ricos”, que disse: “Se eu tivesse montado meu bar do lado de lá não conseguiria arrecadar nem a metade do que ganho do lado de cá. Aqui em José de Freitas só tem liso (sem dinheiro ou com pouco dinheiro) e esse pessoal todo vai para o lado de lá. Você pode ver que o lado de lá é tudo meio sujo, desajeitado. Já o lado de cá só tem carrão, gente bonita, muitas lanchas e jet sky, mas olhe moço, todos são de Teresina, não tem ninguém aqui de José de Freitas”, finaliza.
Na verdade, nossa reportagem apurou que a maioria dos frequentadores do chamado “lado dos ricos” realmente é oriunda de Teresina. São pessoas que gostam de esporte náutico e que não encontrando na Capital espaço tão amplo para fazerem suas manobras com jet sky’s  e lanchas, adotaram como lugar de entretenimento e prática esportiva a cidade que fica a apenas 44 quilômetros de Teresina.
Já do “lado dos pobres” as pessoas não se incomodam muito com essa divisão social pelo poder econômico-financeiro. Os barraqueiros dizem que faturam bem, que estão satisfeitos com o que ganham, afinal quem prefere o “lado dos pobres” também traz dinheiro para gastar. Luiz Gonzaga Viana, um dos barraqueiros, disse a tribunadebarras.com que “se aqui fica um tanto sujo é porque junta muita gente e a prefeitura não coloca pessoas para ficarem limpando o local aos domingos, quando a movimentação é maior. Todos os ônibus vindos das outras cidades com gente em excursão param é aqui. Esse pessoal de excussão é muito mal educado, suja tudo”, finaliza.
Gosto musical e gastronomia:
O gosto musical do “lado dos ricos” e do “lado dos pobres” também é diferente. 
Do “lado dos pobres” havia um show da banda de swingueira da cidade de Teresina chamada “Banda Pilera”. Nos bares e em muitos carros com equipamentos de som instalados, os ritmos musicais são diversos, bem ao “estilo povão”: forró, swingueira, reggae, brega, entre os que mais se ouve. Já a comida, pelo que se via nas mesas, destacava-se: carne frita com farofa, carne-de-sol, frango assado, peixe, calabresa. Esse “lado dos pobres” já foi destaque em matéria do Programa Fantástico, da Rede Globo, no ano de 2011, mas de uma forma bem pejorativa, debochativa até, o que rendeu muitas críticas dos freitenses e piauienses em geral.
Já do “lado dos ricos” não havia show musical ao vivo, mas muitos carros com equipamentos de som potente, num barulho enlouquecedor onde não se conseguia ouvir nenhuma música; apenas um barulho meio louco, ensurdecedor. Parecia uma competição, onde cada um queria mostrar que tinha um som mais potente em seu carro. E os carros, há os carros! Cada um mais luxuoso, potente, com algumas poucas exceções. O gosto musical do “lado dos ricos” é também diferenciado: pop rock, MPB, forró, clássicos internacionais, pagode, samba, mas de vez em quando pessoas saem do “lado dos pobres” com seus carros com som e “invadem” o “lado dos ricos”… aí tome swingueira, muita swingueira! O interessante é que as pessoas que estão do “lado dos ricos” ignoram-nos, alguns colocam as mãos nos ouvidos e saem para locais (mesas) mais distantes;  tudo de uma forma, digamos: educada e até certo ponto, discreta. Os “invasores” chegam, colocam seus carros com som alto, se divertem com seus grupos  no “lugar dos ricos”, mas sofrem logo de início discriminação com o afastamento das pessoas vizinhas às suas mesas (talvez pelo estilo da música).
A divisão entre “lugar dos ricos” e “lugar dos pobres”:
Na verdade a melhor estrutura é a do “lugar dos pobres”. Lá é onde o Poder Público investiu com bares padronizados, calçamento, banheiros, um portal de entrada, estacionamento, dentre outras benfeitorias para tornar o lugar mais atraente. Só que as pessoas de maior poder econômico, no longo dos anos, foram se distanciado e migrando para o outro lado do açude, daí passou-se a usar as duas denominações: “lado dos ricos” e “lado dos pobres”.
Do “lado dos ricos” foi feito também investimento em estrutura após a migração para o outro lado do açude. Só que no “lado dos pobres”, talvez por uma questão de educação e cultura, os frequentadores não estão conseguindo preservar bem o ambiente em que escolhem como lazer e entretenimento.
Já do “lado dos ricos” os bares com melhor estrutura física (nos mesmos moldes dos do “lado dos pobres”) são um tanto afastados da margem do açude, daí construções de barracadas cobertas com palhas de palmeira de babaçu foram improvisadas, algumas delas dentro d’água. 
Exibições de veículos náuticos:
Um show à parte. Os teresinenses, como maioria quase absoluta, começam a chegar ao lugar por volta das 10 horas e iniciam retorno por volta das 17 horas. Lanchas e Jet Sky’s dos mais modernos e potentes em manobras radicais chamam atenção.
Diferença de preços do “lado rico” para o “lado pobre”
Os bares também fazem diferença no preço cobrado aos consumidores dependendo do lado em que os mesmos estejam. Uma cerveja no “lado rico” custa R$ 4,50, já no “lado pobre” você compra uma cerveja da mesma marca por R$ 3,50 ou R$ 4,00. Uma garrafinha de água mineral no “lado rico” custa R$ 2,50 (o normal é R$ 1,50), já no “lado pobre” a água da mesma marca custa R$ 2,00.

Para ver mais fotos da cidade de José de Freitas, clique no link a seguir: http://www.tribunadebarras.com/2012/08/cidade-de-jose-de-freitas-vida-noturna.html

(*) Texto: Reinaldo Barros Torres, Editor da Tribuna de Barras























(*) Fotos: Natan Santos, Repórter e Diretor de Expansão e Planejamento da Tribuna de Barras