Teresina (PI) – Uma mulher veste roupas curtas e anda de forma provocante pelas ruas. Muito maquiada, chama atenção de todos os que passam. Ela apenas se veste da forma como gosta, mas alguns a chamam de vadia e, pior, defendem que ela quer e merece ser estuprada. E assim, a violência contra a mulher vai se justificando das formas mais improváveis.
É justamente contra isso que cerca de 100 pessoas participaram da primeira reunião da Marcha das Vadias de Teresina. No facebook a adesão é ainda maior: 2000 membros integram o grupo que foi criado para discutir o assunto, incluindo muitos homens.
Marchas como essas acontecem desde 2011 em muitos países e, neste ano, movimentaram o Brasil. O nome Marcha das Vadias é polêmico e foi escolhido como contraponto ao comentário de um policial de Toronto, no Canadá, que orientou as mulheres a não se vestirem como “vadias” para evitar o estupro.
Desde então, as marchas defendem o fim da discriminação contra as mulheres, da violência sexual e da violência doméstica, bem como a liberdade sexual e o respeito às vítimas de estupro, para que elas não sejam consideradas como estimuladoras do crime.
Segundo Dalila Pereira, uma das integrantes da Marcha das Vadias em Teresina, o movimento pretende resignificar o termo “vadia”, que sempre foi utilizado para atacar e ofender a mulher. “Agora percebemos que vadia é qualquer mulher que fuja dos padrões do que temos por correto. Mulher casada não pode sair sem seu marido, nem a noite, usar roupa curta e uma infinidade de perfis que cabem à mulher seguir. Viemos pra contestar essa linha de pensamento machista, opressora e patriarcal”, afirma a militante.
Além disso, a Marcha das Vadias vem para contestar. “Queremos saber por que ainda hoje recebemos menos do que os homens, por que ficamos relegadas as nossas casas, por que temos que reprimir nossa sexualidade. Se sermos independentes e não seguir o que está posto é ser como uma vadia, então o seremos”, conclui Dalila.
Nesta quarta, às 17h, aconteceu na Praça Pedro II a segunda reunião para organizar a Marcha das Vadias em Teresina, que está prevista para o dia 29 de junho.