“Eu estava saindo por volta das 6h40min para deixar os meus dois enteados na escola, quando voltei para pegar o controle do portão. Nesse momento, dois homens em uma moto invadiram a minha casa e chegaram a apontar a arma na cabeça de uma das crianças. Eles ameaçavam, pediam a bolsa, dinheiro e eu dizia a eles que estava sem nada, porque realmente não tinha nada na hora”, contou o delegado barrense Ademar Canabrava após levar tiros de motoqueiros em Teresina.
Segundo Ademar Canabrava, os assaltantes começaram a vasculhar o carro na procura de algo, provavelmente da arma do delegado. “Fiquei com medo deles fazerem algo com os meninos. Achei muito estranho a atitude deles, pois olharam até embaixo do banco, mas após não acharem nada, saíram do veículo e deram sinal de que iriam embora. Eles foram até o portão, ficaram de costas para mim e eu tentei pegar a minha pistola na porta do carro, só que um deles ainda voltou e achou a arma”, disse.
O delegado revelou ter batido ainda na porta de casa para que a mulher pegasse a outra pistola, mas os assaltantes começaram a atirar e depois fugiram. Eles efetuaram cinco disparos, três deles acertaram de raspão o braço e o peito do oficial, enquanto dois atingiram o carro.
“Quando a minha esposa abriu a porta, eu sagrava muito ainda. Achei que tivesse atingido o coração ou fosse algo grave, mas ao chegar no HUT os exames comprovaram que não era nada grave. Agora pela manhã fui no hospital particular e o médico recomendou descanso, antibióticos e anti-inflamatórios por causa das suturas no peito, mas estou bem”, informou.
A investigação do caso está a cargo da Polícia Civil e a Polícia Militar está ajudando na realização de diligências. Segundo o coronel Márcio Oliveira, comandante de operações da capital, os dois suspeitos de cometer o crime já foram identificados. “Estamos dando apoio, realizando rondas para prender os assaltantes. Uma pessoa chegou a ser detida, mas foi liberada após verificar nenhuma relação com o crime”, disse o coronel.
O delegado Ademar Canabrava disse ainda que ajudará nas investigações. “Eu também vou fazer a minha parte para pegar estes criminosos, isto não vai ficar impune. Estou vivo por muita sorte. Ainda bem!”, declarou.
(*) G1. Foto: Catarina Costa