Apesar do crescimento de 5% no Brasil em áreas de hectares de plantio e pastagem agropecuárias (hoje são 350.253.329 hectares), Pernambuco apresentou uma redução dessas áreas em 17,73% (hoje são 4.470.433 hectares). Os dados do Censo Agro 2017 foram apresentados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comparado aos de 2006. A pesquisa apontou também que em relação ao número de estabelecimentos que atuam com atividades agropecuárias, o Estado acompanhou o País. Pernambuco apresentou redução de 7,58% (hoje são 281.675 estabelecimentos) e o Brasil teve queda de 2% (hoje são 5.072.152). O levantamento se mostra como um importante estudo para o setor voltar os olhares para uma análise do êxodo rural e da seca que castigou a região.

No Nordeste, os estabelecimentos perderam 9,9 milhões de hectares. Apenas a região teve queda tanto no número de estabelecimentos (menos 131.565) quanto na área (menos 9.901.808 hectares). De acordo com o gerente técnico do Censo Agro do IBGE, Antônio Carlos Florido, é necessário analisar os dados de uma forma mais profunda. “Grande parte dos estados do Nordeste tiveram redução. Isso se apresenta pelos cinco anos de seca intensa, ou seja, falta de chuva mesmo, e também porque os produtores envelheceram sem a sucessão de jovens no setor”, explicou Florido, ao complementar que alguns municípios também aumentam o perímetro urbano, e consequentemente, há uma diminuição na área de plantio.

E essa atenção necessária para o setor se justifica porque 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros são produzidos pela agricultura familiar, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Em Pernambuco, são 275 mil estabelecimentos que se enquadram no segmento da família. Por isso, para manter os jovens no campo, dando continuidade ao trabalho dos pais, é importante através da facilitação de meios, como o acesso ao às linhas de crédito voltadas para o público.

Em geral, o levantamento também apontou que o número de pessoal atuando na agropecuária brasileira teve redução. Em 2017, foram calculados 15 milhões de pessoas ocupadas, enquanto em 2006 eram 16,5 milhões, representando uma diminuição de 1.530.566 de pessoas ao total. “Esse resultado se reflete pelo aumento da mecanização e, consequentemente, dispensa de mão-de-obra”, explicou Florido.

Mulheres

O número de mulheres responsáveis pelos estabelecimentos teve aumento, enquanto o de homens teve uma diminuição. Entre 2006 e 2017, o total de estabelecimentos nos quais o produtor é do sexo feminino elevou-se de 12,7% para 18,6% (945.490 pessoas), enquanto os homens passaram de 87,3% para 81,4% (4.100.900) do total. “Isso pode ser explicado porque o homem costuma envelhecer mais cedo ou, em alguns casos, sair da casa no campo”, comentou Florido.