O historiador João Germano Filho, Secretário de Cultura do Município de Barras, em um portal de notícias que escreve, costuma postar textos usando apelidos quando comenta sobre alguém de vida pública na cidade de Barras. Por ter usado muitos apelidos, alguns agressivos, foi convocado na última Segunda-feira, 27 de Março, para ir até a tribuna da Câmara Municipal prestar esclarecimentos. Germano Filho compareceu à Casa Legislativa, mas vestido de “Chico Trem”, o que causou a indignação dos parlamentares. 
A maioria dos barrenses nascidos nos últimos 30 anos não sabe quem foi o cearense incorporado pelo Secretário de Cultura. O acadêmico Manoel Monte Filho, da Academia de Letras do Vale do Longá, escreveu o texto abaixo.
Nascido no interior
do Ceará no ano de 1915 veio muito jovem com seus familiares em viagem
migratória e se arranchou na Fazenda
Barreiros do Alcides Lages no interior da cidade de Barras do Marathaoan –
Piauí. Entre seus familiares era conhecido como Chico Manuela, por causa da sua
mãe.
Francisco Rodrigues do Nascimento, homem
simples, pobre e com deficiências mentais vivia em constante peregrinação pelas
ruas da cidade em busca de donativos para a sua sobrevivência (tirando esmolas,
como dizia o povo daquela época). Tinha hábito de usar chapéu de palha e
conduzia um saco de pano nas costas com alguns pertences que ganhava além de
prato, xícara e colher. Sabia ler e escrever alguma coisa.
Era
por demais conhecido por um apelido, CHICO TREM, pois ficava a imitar o apito
de um trem sempre que era solicitado. Outra versão para o apelido era porque
conduzia nas costas um saco cheio com os seus pertences, os “TEREM” (objetos de
pouco valor), daí TREM.
Também
gostava de cantar umas músicas (não sei se eram de sua autoria). Lembro-me de
uma que tinha um trecho que dizia assim: “Lagartixa foi uma festa em cima de um
poldo brabo no camin levou uma queda, quebrou a ponta do rabo…”
Chico
Trem não gostava de tomar banho e nem de trocar as suas vestes. Quando ganhava
uma roupa nova, calça ou camisa, vestia por cima e as velhas, apodrecidas pelo
uso, suor e/ou chuva, iam caindo. Exalava um forte cheiro azedo, fétido.
Doutora
Dora Carvalho, vez por outra mandava um funcionário da fábrica lhe dar um banho
no Rio Marathaoan, mandava cortar o cabelo e fazer a barba e lhe dava roupas
novas. Ganhava assim outro aspecto (veja a fotografia).
Era
comum e ainda se escuta de pessoas mais velhas a expressão: “tá igual ao Chico
Trem” se referindo que a pessoa está maltrapilha, suja, usando roupas velhas e
rasgadas.
Teve
uma única irmã que segundo dizem mora no interior do Maranhão em lugar incerto.
Chico Trem era primo do Sr. João Vicença.
Contam
que certa vez passou dois dias debaixo de um cajueiro botando sentido num
“maturi” para que a molecada não o derrubasse e se não fosse a intervenção de
seus parentes para tirá-lo de lá ele revelou que ficaria ali até o caju
amadurecesse.
Faleceu
em Barras, no Bairro Boa Vista, no ano de 1985 aos 70 anos vítima de pneumonia.