Sem diretoria constituída porque nenhum acadêmico quer assumir a presidência, a Academia de Letras do Vale do Longá – ALVAL, sediada em Barras e com região geográfica compreendendo mais de 40 municípios do norte do Piauí, está “literalmente” abandonada, jogada às traças, baratas e ratos. Com um acervo que já chegou a mais de 10 mil livros (milhares roubados por estranhos), atualmente pouco mais de 2 mil livros fazem parte da sua biblioteca, chamada de Martins Napoleão.

Por todo o dia desta sexta-feira, 1º de novembro de 2019, alunos sensibilizados dos cursos de história e geografia da também quase falida UESPI – Universidade Estadual do Piauí, estiveram fazendo uma faxina no prédio, limpando as estantes e livros. Qualquer um entra na sede da ALVAL, portas e janelas quebradas deixam o antigo prédio sem nenhuma segurança.

O que é uma academia de letras?

Academia de Letras é uma instituição que reúne escritores, poetas, pensadores, artistas plásticos, intelectuais. Suas ações de pesquisa ajudam a perpetuar a história e preservar os valores de um município, estado, país… São fontes de cultura. Elas sobrevivem de contribuição financeira mensal dos seus associados ou de ajuda mensal dos municípios, estados ou países sede. A Academia Brasileira de Letras recebe ajuda financeira mensal do Governo Federal, a Academia Piauiense de Letras recebe ajuda mensal do Governo do Estado do Piauí, por assim entenderem os governantes o valor inestimável de uma academia de letras.

Como funciona a Academia de Letras do Vale do Longá…

Fundada em 23 de Setembro de 1978 a Academia de Letras do Vale do Longá – ALVAL, depois da Academia Piauiense de Letras – APL, é o mais antigo sodalício do Piauí. A importância dos seus imortais e suas obras é tão valiosa que boa parte deles também são membros da Academia Piauiense de Letras. Tomar assento numa cadeira da ALVAL, para muitos, é “um estágio para se chegar a APL”.

A Academia de Letras do Vale do Longá é composta por 40 membros efetivos e perpétuos (significa que eles ficam no cargo até morrer). Para ser eleito imortal é necessário que o pretenso acadêmico tenha trabalhos publicados e vistos como de valor para o enriquecimento da literatura, das artes e da cultura.

O prédio onde funciona a Academia de Letras do Vale do Longá…

O prédio da sede da ALVAL é um dos mais antigos da cidade de Barras. Como sede da academia já passou por dezenas de reformas, inclusive no seu teto. As infiltrações d’água são o grande problema do prédio, nunca combatidas nas muitas reformas no teto. Para os acadêmicos o prédio não tem mais condições de abrigar a academia.

Situação financeira da Academia de Letras do Vale do Longá…

Toda academia de letras para manter-se funcionando em um prédio, depende de doações das prefeituras dos municípios onde assentam suas tendas ou dos estados sedes. A contribuição financeira mensal dos acadêmicos serve para atividades literárias e eventos outros promovidos pela instituição. A Academia de Letras do Vale do Longá não recebe apoio financeiro dos poderes públicos municipal e estadual e nem da iniciativa privada. Vale lembrar que todo o “glamour” da Academia Piauiense de Letras e da Academia Brasileira de Letras, tem nas contribuições do Governo do Estado do Piauí e Governo Federal, respectivamente, sua fortaleza.

A falta de funcionários na sede da Academia de Letras do Vale do Longá…

Nas gestões passadas a Prefeitura de Barras cedia empregados da sua secretaria de cultura para ficarem a disposição da Academia de Letras do Vale do Longá, bem como ajudava na manutenção da própria instituição e da preservação do seu histórico prédio. Atualmente, a falta dessa ajuda também contribuiu para o estado de abandono.

E o futuro?

Muitos acadêmicos defendem a transferência da sede da Academia de Letras do Vale do Longá para Teresina ou outra cidade da região da bacia hidrográfica do Rio Longá. Mas para efetivarem esse intento teriam que fazer uma reforma no estatuto, além de enfrentarem o “não” da maioria dos imortais nascidos em Barras. O mais objetivo mesmo seria o surgimento de “uma luz no fim do túnel” para que se resolvesse o problema na sede e voltar-se a olhar para a Academia de Letras do Vale do Longá com o mesmo brio e orgulho dos seus melhores anos, afinal a ALVAL antes de ser um patrimônio do Piauí é um patrimônio do Município de Barras…

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