Abandonados à beira de uma estrada, jogados de uma ribanceira por um caminhoneiro após saírem de Pernambuco e viajarem por quatro dias rumo ao abate no sudoeste baiano.

Este foi o fim de nove jumentos que, segundo a Polícia Civil da Bahia, morreram de fome e sede após uma viagem de pé, amontoados com outros 53 animais na carroceria, sem poderem se movimentar. O caso foi flagrado em 30 de outubro pela polícia na cidade baiana de Itororó.

Na vizinha Itapetinga, outro caso suspeito de maus-tratos ocorreu dois meses antes, com 300 animais achados mortos e outros 750 com sinais de desnutrição, segundo informações da Folha de São Paulo.

Os jumentos nordestinos são abatidos na Bahia e depois exportados para a China depois de passarem por Hong Kong e Vietnã.

A indústria chinesa extrai da pele e couro do animal uma substância usada para fazer o ejiao, remédio que promete combater o envelhecimento, aumentar a libido nas mulheres e reduzir doenças do órgão reprodutor feminino.

Estão sendo abatidos na Bahia 300 a 400 jumentos por semana. Segundo a Adab, o estado tem um plantel de 96 mil jumentos, segundo produtores, mas se estima que a quantidade de animais, incluindo os soltos, chegue a 200 mil. No Nordeste, a projeção é de 800 mil jumentos.

Segundo o ministério, a Bahia exportou para o Vietnã 1,28 mil toneladas de carne e couro de “cavalos, asininos e muares”, a US$ 2,5 milhões (R$ 9,7 milhões), neste ano. Para Hong Kong, foram 24,4 toneladas, por US$ 36.814 (R$ 142.282,43). O destino é sempre a China.

(*) Folha de São Paulo