Barras: médicos não cumprem horário de trabalho e população sofre com falta de atendimento e respeito

 Barras: médicos não cumprem horário de trabalho e população sofre com falta de atendimento e respeito
O repórter Efrém Ribeiro, do jornal Meio Norte, de Teresina, esteve em Barras para fazer matéria sobre a situação da Saúde no município e o que encontrou na cidade foi uma população indignada. Ele observou que, desde Junho deste ano falta médico e o único que tem trabalha 3 vezes por semana, somente um turno. O jornalista diz que este horário tão flexível  é porque o profissional tem  amizade com atual administração da Prefeitura de Barras.



Leia abaixo o texto publicado no jornal Meio Norte:

“Não é preciso ter uma inteligência superior para perceber que há algo de errado no Centro Municipal de Saúde de Barras (122 km de Teresina), no bairro Matadouro, na periferia da cidade. Uma longa fila é formada não na frente do consultório médico, mas na frente da sala de Procedimentos de Enfermagem.
A explicação também não exige muito da inteligência. O Centro de Saúde está desde junho sem médicos. Por causa da crise, um médico de Teresina, por amizade com atual administração da Prefeitura de Barras, apareceu há oito dias para fazer atendimento, somente a tarde três vezes na semana.
Por falta de médicos, O Centro Municipal de Saúde de Barras vai receber na segunda-feira um médico cubano do Programa Mais Médicos do Ministério da Saúde. Às 5h de quinta-feira, a dona de casa Antônia Ferreira Alves, de 51 anos, chegou ao Centro de Saúde do Matadouro na esperança de receber uma das 20 fichas que dão quando o médico provisório atende os pacientes. Ela foi ao centro de saúde para falar com o médico sobre sua diabete, pressão arterial alta, fortes dores de cabeça, por todo o corpo e uma dor na garganta que atrapalha até a ingestão de água.
Às 8h20, Antônia Ferreira Alves foi informada que não iria conseguir falar com o médico porque não era certeza de que iria a tarde, como o programado. Por isso, não seriam entregues as senhas para o atendimento médico.
“Estou sentindo muitas dores em todo o meu corpo, minha cabeça está doendo tanto que tenho que amarrar com um pano. A minha garganta está ardendo, mas a enfermeira que atende a gente não pode resolver esses problemas, mas mesmo assim ela não pode vir hoje porque tem uma reunião marcada para outro local. Médico eu não vi há seis meses. Eu quero falar com ele porque sou hipertensa, tenho diabetes, colesterol alto, eu sou falto morrer, tomo comprimidos três vezes ao dia sem falar ou ter orientação do médico”, falou Antônia Ferreira Alves.
A dona de casa Maria de Sousa Carvalho conta que não sabe mais a conta dos dias em que precisou de um médico para atender a filha Daizielle, de um ano e sete meses, com febre e diarréia, e o filho Wesley Sousa Carvalho, de sete anos, que sofre de enxaqueca e tem crises muito fortes durante o dia e a noite.
Ela também tentou falar com o médico porque sofre fortes dores por causa do deslocamento de sua coluna vertebral.“Eu sinto fortes e não posso levantar muito peso, mas eu tenho que pagar minha filha que tem um ano e sete meses e já é pesada e cuidar da casa, mas a gente procura médicos e não encontra”, falou Maria de Sousa Carvalho afirmando que não se consultar com o médico da atenção básica em um posto de saúde tem repercussão em gastos com medicamentos porque sem a consulta para aliviar as dores comprou na farmácia um medicamento por R$ 28,00 a caixa com dez comprimidos.
“Eu já vim três vezes no centro de saúde e não consigo falar com o médico. E comprar remédios é muito caro porque tenho dois filhos, não tenho marido e só vivo do Bolsa Família, no valor de 250,00 por mês.”
(*) longah.com

Diego Albert

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