O torcedor rubro-negro baiano está prestes a perceber, em números, o impacto da queda à Série B do Campeonato Brasileiro de 2019. Nesta quinta-feira, 27 de Dezembro, o Conselho Deliberativo do Vitória-BA vai discutir o orçamento para 2019, e o corte será de mais de 50% em relação a 2018.

A diretoria não divulgou qualquer detalhe sobre este orçamento, mas o portal Coreio da Bahia apurou que a proposta ficará na ordem dos R$ 45 milhões, valor bruto. Com deduções, a previsão de receita líquida será na ordem de R$ 40 milhões.

Para efeito de comparação, a previsão de receita bruta de 2018 foi de R$ 102 milhões, com R$ 94,5 milhões líquidos. O Leão repetiu neste ano o terceiro maior orçamento entre os clubes do Nordeste, patamar que detém desde 2015, quando foi ultrapassado pelo Sport.

O Bahia, com R$ 119 milhões, e o Sport, com R$ 108 milhões, tiveram orçamentos maiores que o do Vitória em 2018. Ceará, com R$ 55 milhões, e Fortaleza, na Série B, com R$ 24 milhões, fecharam o top-5 da região.

Se confirmados os R$ 45 milhões para 2019, o Vitória despencará para o quinto lugar entre os orçamentos do Nordeste. O Leão será passado, pela primeira vez na história, pela dupla cearense.

Segundo apuração do jornal O Povo, o Ceará apresentou previsão de receita de R$ 70 milhões no ano que vem, enquanto a do Fortaleza foi de R$ 56,7 milhões.

Olhando para o cenário estadual, a queda do Vitória é ainda mais sentida. O Bahia apresentou orçamento de R$ 143 milhões de receita bruta em 2019 – mais que o triplo do rival. O Esquadrão manterá, assim, a liderança de arrecadação no Nordeste.

Como comparação, segundo antecipado na coluna Bate-Pronto do CORREIO no último dia 17, o tricolor projeta gastar R$ 91 milhões só com investimentos no futebol em 2019. É o dobro de dinheiro de todo o orçamento rubro-negro.

Entre os maiores times do Nordeste, só o Sport não tem previsão de orçamento, por conta da eleição do novo presidente, Milton Bivar, ter sido apenas no último dia 18. A expectativa, porém, é que o Leão da Ilha, que também jogará a Série B, tenha previsão de receita maior que a do Vitória, rivalizando com o Fortaleza pelo terceiro posto.

Vale lembrar que orçamentos são estimativas das receitas para 2019. Não significa que um clube terá, precisamente, essa arrecadação; pode superá-la ou frustrá-la. O Vitória, por exemplo, pôs em seu orçamento de 2018 que previa receber R$ 22 milhões com vendas de atletas, valor que acabou em torno de R$ 18 milhões.

A receita final do Leão e as dos outros clubes em 2018 serão conhecidas até abril do ano que vem, prazo limite para que as agremiações divulguem seus balanços.

A razão da queda
O motivo para o corte de mais de 50% no orçamento do Vitória é a queda para a Série B, especificamente em 2019. A partir do ano que vem, os maiores clubes do país não contarão mais com a cláusula apelidada de “colchão”. Por causa dela, as agremiações recebiam, no primeiro ano de segunda divisão, a mesma receita de televisão de que se estivessem na Série A.

A partir de agora, os times da Série B receberão uma cota de TV igualitária, não importando a tradição da equipe. O valor ainda não foi fechado, mas estima-se que seja igual ao de 2018, de R$ 7 milhões.

O Leão cairá de uma arrecadação com TV de quase R$ 44 milhões neste ano, por estar na Série A, para R$ 7 milhões no ano que vem. Queda de quase 85% nessa fonte.

Para chegar aos R$ 45 milhões do orçamento, o Vitória projeta fazer boas campanhas na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil. O Leão tem R$ 1,9 milhão garantido pela 1ª fase do regional. A cada fase, ganha-se mais dinheiro, até R$ 1,65 milhão do campeão.

Os valores da Copa do Brasil ainda não foram divulgados, mas, se forem mantidos os de 2018, o Vitória tem R$ 500 mil garantidos pela 1ª fase. O avanço às oitavas rende mais R$ 3,8 milhões.

O Leão também espera fazer uma boa negociação de jogador. Os dois principais ativos do clube são o zagueiro Lucas Ribeiro e o atacante Luan, ambos de 19 anos.