ARTIGO: A nova face da política barrense. Por Joaquim Neto Ferreira.

 ARTIGO: A nova face da política barrense. Por Joaquim Neto Ferreira.
Joaquim Neto Ferreira, autor do artigo, em Dusseldorf, na Alemanha.

Hoje (13), o escritor, poeta, historiador, atleta e formador de opinião Joaquim Neto Ferreira, natural da cidade de Barras/PI, escreve para o portais parceiros  tribunadebarras.com e  acessepiaui.com.br comentando sobre sua visão do momento político atual da Terra dos Generais e Marechais. Veja abaixo na íntegra o artigo.
“Em Barras como nas demais cidades piauienses a perpetuação de pessoas da mesma família na política é até uma regra geral, se não fosse às últimas exceções a prefeito de Barras. Nas duas últimas legislaturas barrenses, esse fato foi rompido, mas sem antes os velhos políticos profissionais não deixarem de darem uma mãozinha! Até parece que os cargos políticos são hereditários e privativos. Vários são os nomes da política barrense que se perpetuam no poder há anos, transformando cargos elegíveis em uma espécie de carreira política.
Há anos, dois grupos em Barras que disputam o poder e se revezam nos cargos políticos. Fazem uma espécie de “Política Bilateral” que domina o cenário político da cidade e tem um histórico de perpetuação hegemônico desses grupos familiares no poder, criando assim uma espécie de profissionalização da prática. Segundo o professor Ricardo Arraes, do departamento de História da UFPI – Universidade Federal do Piauí, “ao se fazer uma radiografia do que chama de elite política piauiense”, o pesquisador discute elementos que permitem a concentração de poder nas mãos de grupos e personagens políticos.
O cenário político que determina essa realidade está muito atrelado ao seu desenvolvimento econômico ou industrial, fato que impede mudanças significativas. Em Barras não é diferente, mas nos últimos dois anos mudanças significativas vem acontecendo. Uma nova espécie de subsistema político barrense apoiado pelos políticos de carreira tem mudado lentamente o quadro e apresentado uma capacidade de se impor a ordem histórica dos governantes barrenses.
A política barrense tem desenvolvido e fabricado novas adaptações de políticos, pluralizando uma nova prática que permite estabelecer conexões e tradicionais.
Famílias tradicionais ainda controlam a política sob um novo prisma. Controlam a máquina administrativa com novas faces e marionetizam continuamente, como novas peças de reposição das elites em detrimento dos chamados “fichas sujas”, deixando aberto o caminho para os novos herdeiros políticos empresariais.
Podemos perceber que essas novas peças de reposição na política barrense, com o tempo é apenas um substituto temporariamente da verdadeira máscara da hereditariedade política e com isso, abre caminhos para o novo subsistema político de substituição da elite barrense. Fica claro, que há uma perpetuação há décadas do engarrafamento e engessamento dos cargos políticos, para uns chamados políticos de carreira. No entanto, o quadro de mudança dessa realidade começa a transformar-se. Exemplo disso, vemos na reformulação quase que 100% da Câmara dos Vereadores que ainda traz velhas figurinhas carimbadas com suas arcaicas formas de fazer política dentro daquela Casa. Em muitos casos o continuísmo dos pais se faz presente com a chegada dos filhos!
Portanto, acontece que todo o processo ocorre por conta do próprio eleitorado passivo, acanhado, tímido, que tem a tendência de apoiar-se, nessas novas peças de reposição, como salvadores da Pátria ou até mesmo apostando numa nova forma do fazer política. Esse novo subsistema acontece pelos mesmos procedimentos eleitorais democráticos, pelo qual as elites políticas têm transformado nos últimos anos, os cargos políticos em estabilidade profissional e pessoal”.

Diego Albert

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